KAOS RADIO

DIRTY NOISE vem sendo o principal responsável por difundir o DUBSTEP no Brasil. Ele mantém contato diário com seu público através das redes sociais, com muita informação ou até mesmo publicações descontraídas. Em seu projeto KAOS RADIO, em que semanalmente faz sets ao vivo na internet, sempre apresenta novidades do Dubstep, juntamente com alguns clássicos, para orientar quem estiver recém conhecendo o gênero.

Em retribuição à essa dedicação, os fãs que sempre apoiam, o posicionaram entre os Top DJs do Brasil, em 2013. Mais precisamente no número 42 da votação TOP50 BRASIL HouseMag/Vevo. é o único artista de dubstep presente na lista. Já no rank do site TopDeejays, Dirty Noise é o número 1 do Dubstep e número 8 do Electro House no brasil. No rank geral, ele é o número 35 entre os DJs brasileiros e sobe á cada dia.

Mixagens rápidas, efeitos e truques com loops, mesmo em meio às batidas mais quebradas. A técnica utilizada por Dirty Noise tem inspiração em mestres da discotecagem que o influenciaram em seu estilo, como o inglês Dave Clarke, americano Grandmaster Flash e o brasileiro Eduardo Herrera. O repertório constantemente renovado, faz dos seus sets uma verdadeira viagem ao futuro. Mas sempre tem aquele clássico infalível.

Criada a partir de trechos de 108 faixas, este trabalho mostra o potencial de Dirty Noise em misturar faixas com perfeita harmonização. extremamente complexa e diferente de tudo, Não é uma faixa original, não é remix, nem mesmo um set. São 7 minutos em uma avalanche de Dubstep. e Tudo fica ainda mais impressionante no video oficial, que contem cenas épicas de filmes de ação e terror.

Em 2013 Dirty Noise criou o KAOS Digital Festival, o primeiro festival do Brasil que acontece exclusivamente na internet. Mais de 80 artistas renomados já participaram do projeto. Entre os internacionais estão Tim Ismag, Far Too Loud e Karetus. E entre os brasileiros estão Tropkillaz, Ftampa, Dirtyloud e muitos outros. O projeto ainda dá oportunidade e incentivo à novos talentos, que além de mostrar seu trabalho para todo o mundo, ainda realizam diversos contatos e aumentam o número de fãs.

Quero muito tocar na sua cidade, mas para que isso aconteça, os produtores de eventos aí da sua cidade tem que saber que você também quer. Então convoque os amigos para comentar aqui em baixo, mencionando os eventos e clubs da sua cidade.





Quando criança, nos Anos 80, enquanto os meninos corriam atrás das meninas, eu só queria ouvir música e dançar. No final daquela década, depois de já ter colecionado muitas fitas K7 gravadas diretamente de programas de rádio, comprei meu primeiro disco de vinil(New Order - Substance).

Em 1990, eu e meus amigos (Vinícius, Nilton, Sandro...) organizávamos muitas festas de garagem, em que os principais gêneros eram o EBM (Tragic Error, Nitzer Ebb, Front 242) e oSynth Pop (Dead Or Alive, Erasure, Depeche Mode), que eram o que tinha de mais underground na época. Acontecia pelo menos uma festinha por mês, que rolava na casa de um e de outro amigo. E quase sempre com fitas K7.

Usávamos 2 equipamentos de som caseiros , do tipo "3 em 1". E acredite, foi num desses que eu aprendi a mixar.

Mas foi neste mesmo ano pude comprar meu primeiro toca-discos. Era um Gradiente, sem pitch (velocidade) e de plástico.

No ano seguinte, 1991, a falta de 1 toca-discos, num clube social (Comercial, de Sapucaia do Sul) localizado quase ao lado da minha casa, que me deu a oportunidade de comandar pela primeira vez uma pista de dança de verdade nas festas de Natal e Reveillon.

Não, o clube não precisava de 1 DJ, precisava apenas de 1 toca-discos hehehehe

Mas não era uma pista de música eletrônica como facilmente encontramos hoje em dia. Era uma pista secundária e com gêneros variados. Eu já era viciado em Techno e, se tocar gêneros como Rock e Pop doía na minha alma, imagine o que eu sentia quando tinha que tocar Axé Music (from Bahia) e... Pagode.

Mesmo insistindo em tocar músicas como L.A. Style - James Brown Is Dead, pesadíssima para a época, eu soube manter a pista cheia e por isso, felizmente fui convidado a comandar a pista durante todo o verão seguinte.  Apenas com 1 tape deck para as fitas K7 e 1 toca-discos (ahãm). Ahhh Também tinha 1 mixer, coisa que eu nem sabia que existia. Com isso, adquiri experiência e como salário... refrigerantes (rsrsrs). Sim, pois eu tinha apenas 14 anos.

Cada vez mais os clubes se rendiam a música dançante feita com computadores. E eu peregrinava por lojas especializadas em música eletrônica. Eu vivia para isso. Era meu vício. Mas os discos de vinil tinham valores muito altos e eu mal podia pagar para as lojas gravarem as fitas K7. 

Nessa "busca pela batida perfeita", em 1992, conheci na cidade de Esteio, uma pequena loja em que fiz a encomenda de uma dessas fitas K7. No dia em que fui buscar a tal fita, o dono da loja, chamado Gustavo, levou eu e mais um amigo para conhecer o clube (Aliança) em que ele era residente naquela cidade. Lembro que fiquei encantado, pois naquele dia estavam decorando o clube para uma festa especial, de Sexta-feira 13. Era uma festa clássica, que tinha público com mais de 5 mil pessoas.

Como também era um clube social, o gênero principal não era música eletrônica, mas entre as diversas pistas, a que o Gustavo comandava era simplesmente mágica! Ele e outros DJs tocavam todas as músicas que eu gostava, com os equipamentos que eu sonhava e a galera pulava enlouquecidamente. Em anos seguintes eu pude trabalhar em outra loja desse grande DJ que me serviu de inspiração e até hoje somos amigos.

Em 1994, tive a experiência de ter uma pequena loja de discos de vinil e CDs, mas o que mais vendia eram as fitas K7 que eu gravava, mixando as músicas escolhidas pelos clientes. Mas poucos meses depois, a rua da loja foi fechada para obras e eu não tive outra opção senão, abandonar a empreitada.

Eu já fazia participações e começava algumas residências em clubs tocando somente música eletrônica, quando fui convidado fui convidado por um roqueiro/rapper/skatista/muito gente boa, chamado Lucio, para ser DJ na sua banda. O estilo da banda era uma mistura de Rock pesado com Rap. Algo como a banda Body Count, do rapper americano Ice T. Foi a primeira vez que pude liberar todo meu aprendizado de anos assistindo a vídeos de campeonatos de DJs, como o mundialmente famoso DMC e também, decorando todos os scratches do álbum Bomb The Bass - Into The Dragon. A participação na banda durou pouco tempo, mas amizade com o Lucio dura até hoje. 

Por falar em campeonato, em 1996 participei de um campeonato estadual, juntamente com muitos grandes DJs. Mesmo tendo treinado com equipamentos muito precários e com as mãos tremendo muito, pelo nervosismo, fui eleito o vencedor por uma bancada de DJs regionalmente renomados na época (Jason (JZK), Gafa, Mozart, Beto DJ e outros).

Em 1997 comecei a frequentar casas noturnas na capital, Porto Alegre. Fiz muitas amizades com DJs e frequentadores dessas casas. Principalmente no Fim de Século Club, que mais tarde viria a se tornar NEO Club. Depois de algum tempo, acho que em 1998, comecei a organizar algumas festas em Porto Alegre. Sempre de Techno. Lembro que a maior dificuldade era fazer os flyers. E foi numa dessas criações de flyers, que a amiga Tati Suaréz sugeriu que usasse um nome artístico. Então ela sugeriu que de Pablo Vieira, eu passasse a usar Pablo Alvarez. Para acompanhar a latinidade do meu primeiro nome hehehehe

Mas eu quase nunca tinha dinheiro para pagar um designer. Então, sempre precisava contar com a ajuda de amigos. Como muitos deles não tinham experiência, precisei aprender mais sobre o assunto. Foi assim que recebi o convite de um amigo, Denis, para trabalhar na gráfica em que ele trabalhava. Eu o ajudava com as tarefas e ao mesmo tempo ele ia me ensinando a parte básica das artes gráficas.

A partir dali, comecei a desempenhar uma profissão secundária.

Naquela época eu e muitos outros DJs tínhamos um ídolo local. Ele se chamava Eduardo Herrera. Além de mixagens impecáveis, ele era o cara que tinha muito carisma e a melhor presença de palco já vista na região (e talvez até fora dela). Fora o fato de que era super atualizado. Sempre tinha os lançamentos mais legais. E olha que na época não contávamos com internet. Todos o copiavam, inclusive eu hahahahaha

Em 2001 realizei o sonho de ser convidado para tocar com ele numa grande casa noturna no litoral, chamada IBIZA. Ele gostou tanto que me convidou pra tocar também na noite seguinte. Quer mais felicidade que isso? Nunca vou esquecer!

Hoje o Herrera mora em Londres e na última vez que ele veio ao Brasil, estive presente em uma pequena festa de boas vindas. No melhor estilo old school, é claro hehehe

A concorrência começou a ficar forte quando os equipamentos para DJs ficaram mais populares. Os CD players invadiram as casas noturnas e a manipulação das músicas foi ficando de lado. Por outro lado, os preços altíssimos dos discos de vinil foram dificultando a minha situação. Eu tocava com um equipamento caro, um disco caro, um gênero que não era nada popular.

A música eletrônica já estava na maioria das casas noturnas, mas não o Techno. Até que em 2003 eu abandonei a carreira e me dediquei apenas ao design gráfico, que no momento, era o que me dava o sustento.

Triste? Que nada! Casei, tive uma filha linda e segui minha vida.

Mas esse não foi um fim. É agora que nasce o DIRTY NOISE.

Durante o tempo que fiquei afastado das festas, nunca deixei a música de lado. Sempre baixei muuuuuuitas músicas. Principalmente em programas de compartilhamento de arquivos (P2P), como o Soulseek (meu user era pabloavz). Sempre li muito e me informava sobre as festas que aconteciam na região. 

De vez em quando entrava em uma discussão na internet com algum DJ iniciante, que foi aluno de um professor que foi aluno de algum intensivo de uma dessas escolas para DJs. Sempre se mostravam tão entendidos e acima de tudo e de todos, que eu até pensava em dizer "Dai-me tua benção, ó mestre do play+pause+eject" (hehehehe só pra descontrair).

Eu mantinha alguns blogs sobre música eletrônica. De vez em quando eu fazia alguns sets de Techno e Tech House. Gravava no Traktor, só usando o mouse mesmo hehehehe

Mas foi em 2008 que a saudade bateu forte de verdade. Vi que as condições me favoreciam mais do que antigamente, já que a gastar um fortuna com equipamentos e com discos, já não era algo tão decisivo para fazer um bom trabalho. Então comprei uma controladora midie comecei a treinar feito louco. Mas acreditem, voltei tocando... Progressive House (rsrsrs). Mas não durou mais que uns 3 meses. Eu produzia muito material, muitos sets. Mandava releases pra todo mundo da minha região. Mas, eu era só mais um na multidão. Um cara desconhecido, tocando algo que todos tocavam. 

Até que na metade do ano, ouvi um set de um americano (com cara de japonês), cabeludo e muito louco. Seu nome, Steve Aoki. O som dele tinha algo que me remetia ao início da minha carreira, com aqueles timbres de rave dos anos 90. E também tinha toda uma pegada Rock And Roll. Logo eu, que quase vomitava quando ouvia Rock e Pop... Todo aquele meu preconceito se transformou em admiração quando ouvi isso misturado com música eletrônica. Mas como isso era chamado? Pra zoar do gênero Minimal, em que os artistas sempre usavam a expressão "menos é mais", uma onda de novos artistas, muitos roqueiros recém chegados à música eletrônica, chamaram esse novo som de Maximal (Justice, Bloody Beetroots, Crookers, Mstrkrft...). Então fiquei louco com aquilo, pois senti que poderia usar toda minha técnica.

Lembro que no final daquele ano, em novembro, o Steve Aoki veio tocar em Porto Alegre, mas eu não pude ir (snif :,).

Pouco antes, no mesmo mês, decidi gravar meu primeiro set com esse novo estilo chamado Maximal. Mas eu precisava de um nome artístico. Pablo Alvarez já estava saturado. Era muito simples, nome e sobrenome. Tão comum. Então pensei em como soava aquele meu set. SUJO e BARULHENTO.

É, foi assim que criei meu nome. DIRTY NOISE.

Mas de certa forma me arrependo pois, Dirty, não é tão fácil de ser pronunciado por aqui. Mas agora já era hahahahaha

Comecei uma busca por festas e casas noturnas que estavam atentas à aquele estilo musical e também comportamental. E numa dessas buscas, em janeiro de 2009, descobri um bar bem underground, na cidade de Novo Hamburgo. Bem próximo à minha cidade.

Ao fazer contato com a direção do bar, descobri que já conhecia o proprietário desde os tempos das minhas primeiras idas às festas em porto Alegre. Certa vez ele me deu carona, vindo de uma festa no saudoso Fim de Século Club.

Eu estava trabalhando em uma agência de publicidade, e conversei algumas vezes com o Marcelo, dono desse bar, que na época era chamado de Pop Cult. Ele me convidou para ir ao bar para conversarmos sobre criar uma festa com aquele estilo que eu recém tinha adotado, mas que já estava mergulhado. O tal Maximal. 

Dois meses depois, lançamos a festa Shakin', que mesmo sendo a única festa undergrounde eletrônica do bar, foi um sucesso absurdo! Eu fazia toda a parte visual da festa. Flyers ultra coloridos e animados, que eram elogiados por todos. Mas a cereja do bolo eram os vídeos que eu criava para usar durante a divulgação. Eu usava fotos das edições anteriores e juntava com pequenos vídeos e imagem retiradas da internet. Sincronizava tudo com a batida de um super minimix, algo que sempre gostei de produzir. Eu trabalhava nisso tudo até durante a madrugada e mesmo assim, cerca de 1 semana para produzir tudo. Eu nunca entendi muito sobre edição de vídeo, mas como em todo projeto que me envolvo, sempre dou o meu máximo. Mas depois desse trabalho, eu ainda fazia a divulgação. Então,depois de escrever os textos, eu tinha que me puxar pra divulgar tudo no finado Orkut. Mas valeu a pena!

Fui chamado pra tocar em outras festas, outros estados e então, comecei a levar a festa Shakin' junto comigo para outros locais.

Também foi em 2009 que criei o blog Stereolize, bem voltado pra esse estilo maximalista. Lembro que certa vez um ele até foi citado pela MTV brasileira, como um dos melhores blogs do Brasil.

Em 2010, tive a grande experiência de poder tocar fora do país. Fiz duas apresentações naArgentina. A primeira foi no interior, em uma super festa chamada One Night, que rolou na cidade de Parana, na província de Entre Rios. A segunda apresentação foi na capital Buenos Aires. Toquei numa festa semanal chamada Hype, que acontecia no Kika Club. Era terça-feira e já rolava Dubstep no início das festas.

Naquele mesmo ano, fui convidado para fazet mixtapes para diversos blogs internacionais como o Killer Noise, Lorenz Music e muitos outros. Também fiz uma parceria com um blog brasileiro de moda chamado Style-A-Holic. Mensalmente eu produzia mixtapes emegamixes exclusivos, com Fidget House, Disco House e French House, gêneros que eu andava tocando além do barulhento Maximal. 

Eu já tinha produzido muitos Remixes e Edits, mas foi apenas neste ano que eu lancei meu primeiro EP chamado de Punch Balls.

Logo no começo de 2011 eu fiz diversos remixes. Versões Electro para artistas pop comoBritney Spears Lady Gaga. Era uma tentativa de levar meu trabalho para um outro público. Mas o grande destaque foi a roupagem Dubstep que dei à primeira música de trabalho da cantora Adele. O remix de Rolling In The Deep foi a minha primeira experiência com Dubstep. O sucesso foi realmente grande.

Nesse mesmo ano fui convidado a fazer um set especial para o programa ElectroPan, da rádio Jovem Pan de Arapiraca, cidade localizada no interior do estado de Alagoas, no nordeste brasileiro. O convite veio do amigo Fernando Martins, apresentador do programa. Meses depois ele e a direção da rádio me convidaram para integrar o time de DJs do programa, que passaria de 2 para 5 dias por semana. Meus sets rolavam em todas as quartas-feiras. Um tempo depois, tive a liberdade de convidar outros DJs para dividir comigo o espaço que sempre era de 1 hora.

Acredito que um DJ sempre deve experimentar músicas testando mixagens. Sempre, durante a semana, ligo meus equipamentos e vou "brincar". E foi assim, durante essas experiências, que em Setembro de 2012, decidi transmitir pela internet esses sets. Chamei essas transmissões de Trash Mix. A transmissão era feita em um serviço de streaming bem simples. O website do serviço tinha apenas um chat em que todos ficavam conversando, comentando o set e claro, fazendo pedidos hahahahaha

Eu tocava muito Electro e quase nunca tocava Dubstep. Mas durante uma das primeiras transmissões, fiz cerca de 15 minutos somente com Dubstep, sem ao menos dar uma olhada no chat para saber da reação da galera. Quando percebi, a barra de rolagem estava frenética devido ao turbilhão de mensagens aprovando aquele estilo, que eu já curtia muito, mas tinha receio de tocar. 

Foi dessa maneira que meu som mudou. Percebendo a reação daquele público que estava muito antenado às tendências mundiais. 

Em Dezembro daquele ano eu percebi que deveria organizar melhor as transmissões. Senti que precisava fixar um dia da semana e dar mais atenção às imagens de divulgação. E então, rebatizei o nome do projeto como KAOS RADIO